Estudantes, professores e integrantes de entidades de classe e MST estão concentrados em frente à Câmara de Bauru na manhã desta quarta-feira (15) com faixas, cartazes e até um caixão eles realizam o ato na área central.

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Estudantes, alunos e professores participam do ato contra os bloqueios de verbas na educação. O ato teve início na manhã desta quarta-feira (15), em frente à Câmara Municipal de Bauru (SP). Integrantes do Movimento Sem-Terra (MST) também aderiram aos protestos e chegaram em vários ônibus.

Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os manifestantes protestam em frente ao legislativo. Até um caixão foi levado para chamar a atenção de quem passa pela região central.

Eles se concentraram em frente à Câmara. Uma das faixas da avenida Rodrigues Alves sentido centro-bairro ficou interditada entre 8h até às 10h.

Segundo a organização, cerca de 2 mil pessoas participam do ato. A PM ainda não tem uma estimativa oficial sobre o número de participantes.

Por volta de 10h, começaram a caminhar pela avenida Rodrigues Alves, a programação é seguir sentido avenida Nações Unidas e depois retornar para a região central, na rua Primeiro de Agosto.

Estudantes da Unesp protestaram contra corte de investimentos na Educação-Foto Ana Carolina Monari

Escolas sem aula

A escola Estadual Christino Cabral, uma das maiores de Bauru (SP), suspendeu as aulas nesta quarta-feira (15), em dia de atos pelo país contra bloqueios na educação. Mais de mil alunos ficaram sem aula.

A escola mandou um comunicado na terça-feira (14) avisando aos alunos sobre a suspensão das aulas nesta quarta-feira.

Outras escolas também aderiram ao ato, a escola estadual Ernesto Monte, cinco professores não foram trabalhar. As aulas não foram suspensas, porém, a maioria dos alunos não foram nesta quarta.

A Escola Stela Machado, também não teve aulas nesta quarta-feira. As aulas foram suspensas para que professores e alunos pudessem ir ao ato na região central.

Segundo um balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Educação, 20 escolas estão totalmente paralisadas em Bauru, já 44 estão parcialmente. Apenas duas escolas públicas estão funcionando normalmente.

No ensino infantil, 1.142 servidores, entre professores e funcionários aderiram à paralisação e 8.681 alunos ficaram sem ter aula. Cerca de 15 escolas do ensino fundamental e o CEJA estão parcialmente paralisados.

No ensino fundamental, 375 professores aderiram à paralisação e 7.180 alunos ficaram sem ter aula.

Alunos e professores de Bauru participam do ato contra o bloqueio de verbas na educação — Foto: Eduarda Guelfi/G1
Alunos e professores de Bauru participam do ato contra o bloqueio de verbas na educação — Foto: Eduarda Guelfi/G1

Atos na região

Estudantes da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) também realizaram um ato na manhã desta quarta-feira (15), em Marília. Com cartazes, os alunos debateram sobre os impactos do bloqueio de verbas da educação. Cerca de 50 pessoas participaram do ato, que não foi acompanhado pela Polícia Militar (PM).

Em nota, a diretoria da Famema afirma que nenhum comunicado foi enviado à instituição sobre o corte de bolsas pela CAPES, mas recebeu a informação com preocupação. Atualmente, a instituição conta com dois programas de pós-graduação.

Em Ourinhos, pelo menos três escolas públicas ficaram sem aula nesta quarta-feira (15).

Sobre o Ato

Entidades ligadas a movimentos estudantis, sociais e a partidos políticos e sindicatos convocaram a população para uma greve de um dia contra as medidas na educação anunciadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não serão afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir. O contingenciamento, apenas com despesas não obrigatórias, é um mecanismo para retardar ou deixar de executar parte da peça orçamentária devido à insuficiência de receitas e já ocorreu em outros governo.

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