Trabalho desenvolveu ações para debater e enfrentar o Bullyng no ambiente escolar e foi disponibilizado em E-book

O trabalho de pesquisa de um grupo de estudantes do Polo da UNIVESP de Bocaina, para enfrentar e debater sobre o Bullyng no ambiente escolar, desenvolvido junto aos alunos do 5º ano da Escola Deputado Leônidas Pacheco Ferreira traz reflexões sobre como abordar e identificar as situações que podem afetar o desempenho do aluno em sala de aula, comprometendo e afetando a auto estima dos estudantes.

Estudantes desenvolveram atividades com alunos do 5º ano da Escola Deputado em Bocaina-Foto Reprodução Redes Sociais

Como parte do trabalho os estudantes do curso de pedagogia produziram o livro “A Menina Azul e a Descoberta do Mundo Colorido”.  A pesquisa e produção do trabalho pelos estudantes, Ariane Barbieri, Helaine Maria Tonon, Heloisa Galvão Carriel, José Augusto Pirângelo, Paulete Nigro Riviera,   Silmara Martinez, e Valéria Furlanetto, da turma de Licenciatura em Pedagogia, do polo de Bocaina ultrapassou os muros da escola e foi transformado em um e-book e está disponível no site da Universidade.

O livro conta a história de Ana, uma menina que vai pela primeira vez à escola e escolhe todo o material (mochila, estojo, cadernos, canetas) e roupas (vestidos, laços e sapatos) em diferentes tons de azul, sua cor preferida. Logo, seus colegas a apelidam de “menina azul”, o que gera desconforto e tristeza na criança.

Livro pode ser acessado e baixado gratuitamente-Foto Reprodução Faceboook

O grupo de estudantes se dividiu nas diversas etapas do trabalho, desde a ilustração do livro e o desenvolvimento de atividades com os alunos. Segundo Ariane o projeto foi desenvolvido para que os pequenos discentes pudessem identificar o bullying e compreender suas consequências no ambiente escolar.

“Buscamos estimular e desenvolver habilidades cognitivas e socioafetivas de autoestima, controle emocional, respeito às diferenças e empatia, como contribuição para o processo de formação humana e cidadã dos educandos”, afirmou.

Danosa, experiência pode ser evitada

Segundo Relatório da divulgado pelas Nações Unidas, a experiência  danosa pode ser evitada. Não importa como seja definida, as pesquisas internacionais recentes com crianças relatam uma taxa entre 29% e 46% de crianças alvo de bullying nos países estudados”

No Brasil, esse percentual é de 43%, taxa semelhante a outros países da região: Argentina (47,8%), Chile (33,2%), Uruguai (36,7%) e Colômbia (43,5%).

O Relatório “Pondo fim à tormenta: combatendo o bullying do jardim de infância ao ciberespaço”divulgado em 2017 Os números constam no relatório , realizado pelo representante do secretário-geral da ONU para o combate à violência contra a criança e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Segundo o documento, evidências mostram que tanto as vítimas como os perpetuadores desse tipo de violência na infância sofrem em termos de desenvolvimento pessoal, educação e saúde, com efeitos negativos persistindo na vida adulta.

“Quando as crianças são afetadas pelo bullying, elas não conseguem tirar vantagens das oportunidades de desenvolvimento aberta a elas nas comunidades e escolas nas quais vivem”, afirmou o relatório.

O estudo mostrou que o bullying é um fenômeno complexo que toma múltiplas formas, e é experimentado de diversas formas no mundo. Normalmente definido como provocação, exclusão ou violência física, em torno de um em cada três crianças em idade escolar no mundo informaram ter passado por alguma experiência envolvendo bullying ao menos uma vez nos meses precedentes.

O fenômeno também é mais comum entre crianças de idade escolar em países mais pobres, e na maior parte dos países os meninos e crianças mais jovens enfrentam o problema mais frequentemente.

Em Villanueva, Honduras, o jovem de 16 anos, Darwin, lembra de seu colega Henry, que se suicidou em setembro de 2016. De acordo com um professor, os dois amigos sofriam bullying. Foto: UNICEF/Adriana Zehbrauskas

UNICEF alerta para violência escolar no Brasil

A pesquisa do UNICEF não traz dados do Brasil, mas estudos realizados nacionalmente mostram que a violência entre colegas e nos centros de ensino também impacta meninas e meninos brasileiros. Um desses levantamentos é a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense, 2015), do IBGE. Focada em alunos do nono ano do ensino fundamental, a a análise revela que:

  • 14,8% dos estudantes do nono ano afirmam ter deixado de ir à escola, pelo menos um dia, nos 30 dias anteriores à pesquisa, por não se sentir seguros no caminho de casa para a escola ou da escola para casa;
  • 7,4% dos estudantes entrevistados disseram ter sofrido bullying na maior parte do tempo ou sempre, nos 30 dias anteriores à pesquisa;
  • Quando perguntados se eles próprios haviam praticado bullying nos 30 dias anteriores à pesquisa, 19,8% responderam que sim;
  • 23,4% dos estudantes entrevistados responderam ter se envolvido em alguma briga ou luta física, pelo menos uma vez, nos 12 meses anteriores à pesquisa;
  • 12,3% dos estudantes entrevistados foram seriamente feridos, pelos menos uma vez, nos 12 meses que antecederam à pesquisa;
  • 5,7% dos estudantes se envolveram em brigas na qual alguém usou alguma arma de fogo, nos 30 dias que antecederam à pesquisa;
  • E 7,9% declararam ter se envolvido em alguma briga com arma branca. O percentual é maior entre meninos (10,6%) do que entre meninas (5,4%). E é maior entre estudantes da rede pública, 8,4%, do que entre aqueles da rede privada, 5,3%.

 

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