Jornalista comenta abandono do patrimônio histórico em Bocaina e acredita na Educação para reverter cenário

A luta contra a retirada dos paralelepípedos das ruas de Bocaina (SP) vem sendo travada desde a gestão do prefeito Elvio Vicente Júnior( 1977 a 1983).As intervenções no calçamento teriam começado com a chegada da SABESP empresa de Sanamento de Água de São Paulo, quando foram realizadas obras para manutenção da rede de esgoto na cidade.

O jornalista conta que quando  criança acompanhou o dia-a-dia do assentamento das pedras e admirava  o esmero nos serviços feitos pelos assentadores. Segundo o jornalista, as intervenções no calçamento foram constantes ao longo doas anos nas ruas da cidade assim também como as queixas.

“Depois do Elvio outros perfeitos também removeram paralelepípedos de muitas ruas, houve queixas, mas de nada adiantou. Como sempre digo: o patrimônio público para muitos é coisa banal” comenta Furlaneto.

A afirmação do jornalista Walmir Furlaneto estão nas páginas do livro “Uma cidade e um pouco de sua História”. O livro contra trechos da história do município formado em 1.890.

“Uma página apagada de nossa história – É isso que eu penso cada vez que vejo nosso patrimônio histórico ser abandonado, demolido ou alterado. Será que estou sendo sentimental demais?” pergunta o jornalista.

A fala de Furlaneto revela o pouco esforço do poder público ao longo dos últimos 40 anos para se preservar o patrimônio histórico do município. A cidade tem apenas um prédio tombado pelo Conselho.

A Escola Deputado Leônidas Pacheco Ferreira foi tombada em 2010 pelo condephaat e faz parte do conjunto de 126 escolas públicas construídas pelo Governo do Estado de São Paulo entre 1890 e 1930. A igreja matriz de São João Batista aguarda o tombamento há mais de 40 anos. O pedido feito em 1.969 foi reaberto em 2010.

O abandono e o descaso com o patrimônio histórico da cidade tem sido uma preocupação de Furlaneto. A demolição do Fascio Italiano, construído pela colônia de italianos em 1.905 é um dos momentos considerados por Furlaneto como um dos capítulos mais tristes da história do município. O prédio imponente localizado nas esquina das ruas Floriano Peixoto e Alvarenga Rangel foi demolido  na década de 1.960 para dar lugar ao prédio da Casa da Lavoura.

“Já ouvi mais de uma pessoa dizendo: “Para que conservar esses casarões velhos?”. “Para quê manter ruas com paralelepípedos se eles só servem para estragar os carros?” Felizmente há também cidadãos que pensam de forma diferente” conclui aliviado.

Furlaneto relembra ainda histórias como o projeto que pretendia a construção de sanitários na praça da ao lado da Câmara de Vereadores. Questionado por moradores sobre a necessidade da obra o projeto não foi adiante.

A cidade que foi umas das primeiras do país a ter uma estação de tratamento de esgoto.  A estação pertence a Empresa de Saneamento Básico de São Paulo e foi inaugurada em 1908 e funcionado por apenas 20 anos.

Furlaneto acredita que as escolas precisam mostrar aos alunos a necessidade em se ter um olhar coletivo e amoroso sobre o patrimônio histórico.

“Infelizmente o que tenho observado é a falta de amor e respeito para com o patrimônio histórico de Bocaina. Daí a importância da educação para construir na população um sólido conhecimento sobre a necessidade de preservar o patrimônio histórico de uma cidade. Preservar é manter vivos os bens herdados das gerações passadas; destruir é enterrá-los” diz.

A reportagem procurou órgãos do governo para obter mais informações sobre como é realizado o processo de tombamento desses bens. A superintendência do IPHAN em São Paulo informou que qualquer morador pode solicitar o pedido de tombamento.

Thais Ramos, assistente de coordenação técnica do instituto que no pedido deve conter informações mínimas, que possam subsidiar a abertura de um processo federal, que irá estudar a relevância do bem para a memória cultural nacional. Os documentos devem ser enviados ao IPHAN, mesmo que pelo correio, de forma original e assinada pelo interessado.

Ainda de acordo com Thais, as informações sobre os bens a serem tombados podem determinar no andamento do processo e o prazo para conclusão dos estudos pode chegar a 05 anos.

No que diz respeito as ruas do centro histórico de Bocaina, a superintendência do IPHAN em São Paulo informou que não há registros de bens tombados pelo instituto.

O órgão informou que o tombamento de bens também podem ser realizados pelos órgãos estaduais ou pelos órgãos municipais, nos municípios que os possuem. A escolha dos bens a serem tombados por cada uma das três esferas administrativas, bem como sua fiscalização e demais atribuições relativas a cada acervo protegido, é realizada de maneira autônoma e independente entre os órgãos tombadores.

“Bocaina sua linda! Cada flash uma história”

Um projeto desenvolvido por professores e alunos da escola estadual Nelly Coleone, no bairro jardim Santana em Bocaina, lançam um olhar mais atento sobre a realidade.

Acompanhados pelos professores os alunos dos 6º e 7º anos percorrem as ruas do centro histórico da cidade, fotografam casarões, a antiga estação de trem, cinema e a igreja matriz de São João Batista. O projeto  está em fase de desenvolvimento e a proposta é criar uma exposição virtual através das redes sociais.

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