Somadas as penas chegam a 180 anos de prisão, júri federal foi realizado em Jaú.

Wagão

Após um longo julgamento que durou dois dias, cinco homens, acusados de formar um grupo criminoso, foram condenados. Somadas as penas chegam a 180 anos de prisão.  O júri federal foi realizado em Jaú e terminou no começo da manhã desta quarta-feira (14). Eles começaram a ser julgados na segunda-feira (12, sob forte esquema de segurança, por crimes cometidos em 2013. (Veja vídeo abaixo). Entre as acusações, a de homicídio e tentativa de homicídio contra agentes federais, durante uma operação realizada em Bocaina em 2013.

De acordo com a decisão proferida pelo Tribunal do Júri, os sentenciados cometeram os crimes utilizando-se de meios violentos, emprego de armas de fogo de uso restrito e de alta letalidade, atentando contra a vida de agente federal e sofisticada engenharia levada a cabo para a concreção dos delitos, por meio de organização criminosa com projeção internacional.

Cada um dos cinco acusados deve cumprir 36 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio.

As investigações

As investigações contra eles começaram após a Polícia Federal interceptar o grupo durante uma ação para descarregar drogas na zona rural em Bocaina. Durante a operação um policial federal foi atingido por um tiro e morreu.

Pelo menos três dos réus, acusados de co-autoria no homicídio do policial federal  Fábio Ricardo Paiva Luciano e tentativa de homicídio do agente Vladimir Rodrigues já eram investigados pela Polícia Federal em Campinas.

A Polícia Federal teria chegado aos três após uma denúncia  anônima em fevereiro de 2013. As informações teriam sido repassadas a Polícia Federal em Bauru após o início das investigações.

Ênio Bianospino deu detalhes da “Operação Paiva Luz”-Foto Bocaina Informa

O delegado da Polícia Federal de Bauru,  Ênio Bianospino, disse em seu depoimento nesta segunda-feira (12), que durante as investigações foram periciados cerca de 11 aparelhos celulares, apreendidos durante a operação, e que, através do cruzamento de dados telefônicos foi possível confirmar a ligação e a participação de pelo menos três dos réus no local do confronto. Durante as investigações foram cumpridos 16 mandados de prisão.

Ainda de acordo com Bianospino, não foi possível localizar a droga, que segundo ele, não teria sido queimada com a queda do avião. Bianospino disse que as escutas telefônicas, feitas posteriormente indicam que os criminosos tenham conseguido descarregar a droga. A perícia ainda teria apurado que a aeronave estava preparada para realizar o transporte da droga e seria inclusive abastecida em pleno voo. O avião caiu durante a ação e pegou fogo.

Organização criminosa

Ênio Bianospino detalha que outros integrantes da quadrilha foram condenados por tráfico e associação para o tráfico de drogas ao longo das investigações. A mesma organização foi flagrada, entre 2013 e 2014, com carregamentos de drogas na Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraná , além de Guarujá e Pirajuí. No Paraná, houve a apreensão de 355 mil euros em dinheiro. Em abril de 2014, outras 12 pessoas com ligação ao grupo foram detidas na operação “Paiva Luz”.

O caso

De acordo com a denúncia, a Polícia Federal havia recebido informações de que, na noite do dia 25/9/2013, uma aeronave carregada com grande quantidade de cocaína pousaria em uma pista rural no município de Bocaina. Com isso, vários agentes se dirigiram até o local a fim de executar a ação planejada para pegar os bandidos e apreender a droga.

Agentes procuravam integrantes da quadrilha após o tiroteio em Bocaina- Foto Aceituno Jr/Jornal da Cidade

Quando o piloto do avião iniciou o procedimento de pouso, os integrantes da quadrilha que davam apoio no solo usaram os faróis dos carros para iluminar a pista. Uma das viaturas se posicionou próximo à alça de acesso à pista de pouso, enquanto as demais foram em direção à aeronave que havia pousado, iniciando uma intensa troca de tiros. Em seguida, o piloto tentou decolar com o avião, mas não conseguiu atingir a altura necessária e caiu a cerca de 200 metros, causando a explosão da aeronave. Ele conseguiu sobreviver.

Um dos veículos da quadrilha tentou fugir pela alça de acesso que estava bloqueada pela viatura onde estavam os dois policiais. Os bandidos atiraram várias vezes e um dos disparos acabou atingindo o agente Fábio Ricardo Paiva Luciano, que veio a falecer. Parte dos criminosos conseguiu fugir a pé pelo canavial e outros usaram veículos, mas foram presos depois, inclusive o piloto do avião. Em um dos carros utilizados pelo bando, foram encontrados fuzis, pistolas, coletes à prova de bala e diversas munições.

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